OPINIÃO: A imprensa brasileira mentiu – e continua mentindo – sobre a realidade americana

por CARLOS JUNIOR (COLUNISTA)

Há tempos que o jornalismo brasileiro deixou de ser parâmetro para alguma coisa. A fuga deliberada da realidade feita pelos seus integrantes impressiona, além da obstinação em continuar em tal estado. Quanto mais os jornalistas erram previsões políticas, informações ou mesmo mentem descaradamente, mais arrogam para si o direito de definir o que é verdade ou não.

Exemplos desse quadro não faltam. A eleição americana de 2016 talvez seja o melhor deles – quando a grande mídia personificou o bem e o mal em Hillary Clinton e Donald Trump, respectivamente. Mas a de 2020 não fica atrás. A quantidade de bobagem dita por jornalistas que fizeram torcida ideológica é volumosa o bastante para ser perceptível aos olhos da cara.

Sidney Rezende, jornalista da CNN Brasil, disse ser o presidente Joe Biden um político tradicional mais conservador que progressista. Quando vi a informação no Twitter, julguei ser meme ou coisa do tipo, mas infelizmente não era. Seria melhor para o jornalista. Biden defende todas as causas progressistas da extrema esquerda americana, além de ter proposto um plano econômico para torrar o dinheiro do contribuinte na casa dos trilhões. Não há – e nem houve – traço algum de conservadorismo na vida pública de Joe Biden. Muito pelo contrário. Ser um tarimbado do establishment político americano não o faz automaticamente um reacionário – como acham os imbecis que dizem não existir esquerda nos Estados Unidos.

Em matéria de falar bobagem sobre política americana, ninguém ganha de Guga Chacra. Ele é imbatível. O sr. Guga classificou Donald Trump como o pior ser humano a ter ocupado a presidência dos EUA na era moderna, além de colocar nele um desejo de ser autocrata. Nada diferente do que a grande mídia vem fazendo com Trump desde a sua chegada na política: pintá-lo como vilão de gibi. Toda a cobertura feita da sua administração foi realizada com esse objetivo. Tipos como Guga Chacra garantiram que o tal conluio de Trump com o governo russo era real – a grande fanfic do mandato republicano. E no que deu todo aquele alvoroço? Em absolutamente nada – a não ser onde realmente interessava: nas urnas.

Criar narrativas fantasiosas para pautar os agentes políticos. Eis o modus operandi da grande mídia em qualquer lugar no mundo. O Russiagate foi precisamente isso. Uma história da carochinha inventada por cupinchas do Partido Democrata no FBI ganhou dimensões de um novo Watergate para CNN, The New York Times e tutti quanti – mesmo com a realidade contradizendo tudo. No caso do jornalismo brasileiro a situação é ainda pior. Como expliquei em artigo para o Jornal da Cidade Online, a função tradicional do jornalismo de retratar fielmente a realidade foi substituída pela mudança da mesma através de alterações sutis nas notícias e na forma de repassá-las ao público. A nova moral politicamente correta foi imposta com sucesso graças a esse novo jornalismo.

Se, por exemplo, a cobertura das eleições americanas fosse realizada de maneira neutra, caberia ao público formar opinião e simpatizar por algum lado. Mas os jornalistas brasileiros acreditam ter o papel de guiar a sociedade para o ‘’lado correto da história’’, e ao invés de apenas retratar o que está acontecendo nos EUA, eles próprios emitem juízo de valor sobre determinado candidato, partido ou ideologia como se fosse o suprassumo da verdade. Monalisa Perrone, visivelmente irritada em ter o trabalho de noticiar a vitória de Donald Trump em 2016, colocou racismo e xenofobia na conta do vitorioso, sendo prontamente corrigida pelo repórter da Globo que cobria a festa republicana. Exemplo mais clássico desse quadro não há.

Uma notícia que a grande mídia brasileira certamente omitirá: o PJ Media publicou que antes do atentado a uma sinagoga no Texas cometido por um jihadista islâmico, o ISIS emitiu uma diretriz pedindo aos seus membros que fizessem exatamente isso. A imprensa mundial tratou o terrorista como lobo solitário, um extremista agindo sozinho. Nada de falar da jihad e dos planos de dominação global da Irmandade Muçulmana. Fazer isso seria dar razão aos malditos reacionários, algo que não pode acontecer em hipótese alguma nas redações jornalísticas.

Veículos de mídia independente como este Direto da América são grãos de areia em uma ilha de mentiras intencionais. A imprensa tradicional ainda conserva o prestígio de outras épocas em que se fazia jornalismo sério, ao contrário dos tempos contemporâneos. Um Guga Chacra desinforma e fala bobagem no maior canal de televisão do país sem o menor pudor – e seu emprego continua firme e forte, pois seus patrões são igualmente estúpidos.

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Essa velha imprensa mente sobre tudo, e quando o assunto é política não tem como ser diferente. A política americana, com seus poucos estudiosos e sem despertar tanto interesse do público geral, é a maior vítima da mentira descarada. Não espanta que se observe uma diferença abissal entre o que é noticiado e o que realmente acontece nos EUA.

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