Democrata sepulta principal promessa de Biden

O senador democrata Joe Manchin disse no domingo (19) que não pode apoiar o projeto de lei social e ambiental Build Back Better de mais de US$ 2 trilhões de seu partido, desferindo um golpe fatal na principal iniciativa doméstica do presidente Joe Biden que se encaminha para um ano eleitoral com grandes chances de perder o controle da Câmara e Senado.

Manchin disse no “Fox News Sunday” que sempre deixou claro que tinha reservas sobre o projeto de lei e que agora, após cinco meses e meio de discussões e negociações, “não posso votar para continuar com esta peça de legislação.”

Com a definição do senador, a principal promessa de campanha Joe Biden é sepultada uma vez que o Senado está igualmente dividido entre Democratas e Republicanos (50-50). Mesmo com um voto da vice-presidente Kamala Harris mas sem o voto de Manchin, o máximo que é possível conquistar é um empate.

Em resposta, a secretária de imprensa da Casa Branca Jen Psaki chamou a declaração de Manchin “uma reversão repentina e inexplicável em sua posição” e “uma violação de seus compromissos” com Biden e os democratas do Congresso.

“Continuaremos a pressioná-lo para ver se ele reverterá sua posição mais uma vez, para honrar seus compromissos anteriores e ser fiel à sua palavra”, disse Psaki.

O senador Bernie Sanders, I-(Vermont), criticou Manchin por retirar seu apoio e pediu aos líderes democratas que levassem o projeto ao plenário e obrigassem Manchin a se opor a ele.

“Se ele não tiver a coragem de fazer a coisa certa pelas famílias trabalhadoras de West Virgínia e da América, que vote não na frente do mundo inteiro”, disse Sanders ao “Estado da União” da CNN.

US$ 2 trilhões -> US$ 5 trilhões

Um relatório do apartidário Congressional Budget Office (CBO) no início deste mês disse que se muitos dos aumentos temporários de gastos e cortes de impostos do projeto se tornassem permanentes, isso acrescentaria US$ 3 trilhões ao valor final do Build Back Better. Isso mais do que dobraria seu custo de 10 anos para cerca de US$ 5 trilhões, desmentindo a narrativa oficial da Casa Branca de que o projeto não acrescentaria um centavo na dívida interna.

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