EUA proíbe todas importações de Xinjiang

O presidente Joe Biden sancionou na quinta-feira (23) lei que proíbe todas importações da região chinesa de Xinjiang, na China, devido a preocupações com trabalho forçado, disse a Casa Branca.

A Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado Uigur é parte da reação dos EUA contra o tratamento de Pequim à minoria muçulmana uigur da China, que Washington já rotulou como genocídio.

O ponto principal da lei é uma “presunção refutável” que assume que todos os produtos de Xinjiang, onde Pequim estabeleceu campos de detenção para uigures e outros grupos muçulmanos, são feitos com trabalho forçado. Ele proíbe as importações, a menos que possa ser provado o contrário.

Outras versões do projeto já haviam sido aprovadas na Câmara e no Senado, mas os membros de ambas as casas conseguiram chegar a um acordo para resolver as variações entre as duas versões no início desta semana para então enviá-lo à mesa do presidente antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim em 2022.

O senador Marco Rubio, (R-FLÓRIDA), um co-patrocinador do projeto de lei, emitiu um comunicado descrevendo o projeto de lei como a “ação mais importante e impactante realizada até agora pelos Estados Unidos para responsabilizar o Partido Comunista Chinês pelo uso de trabalho escravo.”

“Isso mudará fundamentalmente nosso relacionamento com Pequim”, disse ele. “Esta lei também deve garantir que os americanos não comprem mais produtos feitos por escravos na China, sem saber.”, disse Rubio.

Em seus últimos dias na Casa Branca, o governo Trump anunciou a proibição na importação de todos os produtos de algodão e tomate de Xinjiang.

A agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA estimou na ocasião que cerca de US$ 9 bilhões em produtos de algodão e US$ 10 milhões em produtos de tomate foram importados da China no ano passado.

Reação

A embaixada da China em Washington disse que o ato “ignora a verdade e calunia maliciosamente a situação dos direitos humanos em Xinjiang”.

“Esta é uma violação grave do direito internacional e das normas de relações internacionais e uma grande interferência nos assuntos internos da China. A China condena veementemente e a rejeita com firmeza”, disse o porta-voz da embaixada Liu Pengyu em um comunicado por e-mail, segundo a CNN.

Ele disse que a China “responderia à luz do desenvolvimento da situação”, mas não deu mais detalhes.

Em um comunicado na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da China expressou sua “forte indignação e oposição resoluta” à legislação.

“As alegações de ‘trabalho forçado’ e ‘genocídio’ em Xinjiang não passam de mentiras perversas promovidas pelas forças anti-China”, disse o comunicado.

Os EUA estão se engajando em “manipulação política e intimidação econômica sob o pretexto dos direitos humanos” e estão tentando “minar a prosperidade e estabilidade de Xinjiang e conter o desenvolvimento da China”, acrescentou.

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