Austrália anuncia US$ 3,5 bi em novos tanques americanos em meio à tensões com a China

A Austrália confirmou na segunda-feira (10) a aquisição de 75 novos tanques militares Abrams e 45 outros veículos de assalto dos EUA em meio a deterioração das relações entre Austrália e China; transação é avaliada em US$ 3,5 bilhões e entrega está prevista para 2024.

“Juntos com o veículo de combate de infantaria, veículos de engenharia de combate e obuses autopropulsados, o novo Abrams dará aos nossos soldados a melhor possibilidade de sucesso e proteção contra danos”, disse Peter Dutton, ministro da Defesa australiano, segundo o Daily Mail.

“O M1A2 Abrams incorporará as mais recentes inovações nas capacidades de defesa soberana australiana, incluindo comando, controle, comunicações, computadores e sistemas de inteligência, e se beneficiará da fabricação pretendida de munição para tanque na Austrália.”, disse.

“A introdução dos novos veículos M1A2 aproveitará a infraestrutura de suporte existente, com investimentos significativos na indústria australiana continuando nas áreas de sustentação, simulação e treinamento.’

Os veículos devem chegar em 2024, informa o Sydney Morning Herald.

As novas adições revelam o interesse do governo em construir uma frota sólida de veículos blindados somando essas capacidades com as recentes aquisições de submarinos e caças.

Os tanques substituirão os 59 Abrams M1A1s do exército australiano que foram comprados em 2007, mas não entraram em combate.

Nos próximos anos, a Austrália gastará algo entre US$ 30 bilhões e US$ 42 bilhões em veículos blindados. Isso incluirá uma frota de veículos de combate de infantaria que provavelmente serão anunciados ainda este ano a um custo entre US$ 18 bilhões e US$ 27 bilhões, segundo o Sydney Morning Herald.

Em 15 de setembro de 2021, a Austrália, Estados Unidos e Reino Unido anunciaram um novo acordo de defesa que ajudará a Austrália a adquirir submarinos nucleares americanos e britânicos. O pacto, denominado “AUKUS” – sigla para Austrália, Reino Unido e Estados Unidos – visa conter as ameaças da China.

Na ocasião, o acordo gerou uma grande tensão entre os EUA e a França. Os franceses ficaram furiosos por serem excluídos do acordo de fornecimento dos submarinos nucleares.

“A escolha dos EUA de excluir a França de uma parceria estruturante com a Austrália, em um momento em que enfrentamos desafios sem precedentes na região do Indo-Pacífico, mostra uma falta de coerência que a França só pode notar e lamentar.”, disse o governo francês.

O presidente francês também convocou seu embaixador em Washington em protesto contra a administração Biden.

“A pedido do presidente da República, decidi chamar imediatamente nossos dois embaixadores nos Estados Unidos e na Austrália para Paris para consultas”, disse o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian. “Esta decisão excepcional é justificada pela gravidade excepcional dos anúncios feitos em 15 de setembro pela Austrália e pelos Estados Unidos.”

Um diplomata francês disse à Associated Press na sexta-feira que o presidente Macron foi notificado pelo primeiro-ministro australiano Scott Morrison sobre o cancelamento do acordo em uma carta recebida na manhã de 15 de setembro de 2021. Autoridades francesas teriam tentado imediatamente entrar em contato com o governo Biden para confirmação, mas não conseguiram discutir o assunto com Washington até cerca de três horas antes de Biden fazer o anúncio público.

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